domingo, 15 de maio de 2016

Principais obras de Tomás Antônio Gonzaga

"Cartas Chilenas"

A capitania de Minas Gerais tinha um governador autoritário, Luís da Cunha Meneses, os desmandos e ilegalidades de sua administração, provocaram a ira da população, que sofria com o excesso de cobrança de taxas. Gonzaga, mesmo num cargo importante, era desrespeitado pelo capitão-geral.
Reagiu e denunciou o governador à rainha, que o substituiu. Ao mesmo tempo escreveu as "Cartas Chilenas", um poema satírico, sob o pseudônimo de Critilo, no qual denunciava e debochava do "Fanfarrão Minésio", referência quase direta a Cunha Meneses, que ainda estava no poder, quando o poema começou a circular clandestinamente.
Por muito tempo não se teve certeza de quem seriam realmente as "Cartas". Hoje, depois de muitos estudos, não há mais dúvida de que foram mesmo escritas por Gonzaga.
Trecho:
"Amigo Doroteu, prezado amigo,
Abre os olhos, boceja, estende os braços
E limpa das pestanas carregadas
o pegajoso humor, o sono ajunta.
Critilo, o teu critilo é quem te chama;
Ergue a cabeça da engomada fronha,
Acorda, se ouvir queres causas raras."


A jovem Doroteia

Na mesma época, conheceu a adolescente Doroteia de Seixas, sua eterna musa Marília, por quem se apaixonou. Depois de alguma resistência da família, devido a diferença de idade e de fortuna, o pai da moça permitiu o casamento.
Todavia, não chegou a realizar-se. Com a chegada do novo governador, o visconde de Barbacena, amigo do poeta, foi decretada a "derrama", isto é, a cobrança de todos os impostos atrasados, causando uma imensa revolta na população, aInconfidência mineira, que queria fazer de Minas uma república independente de Portugal.
Ainda que Gonzaga não tenha participado diretamente da sublevação, era simpático à causa e todos os seus amigos aderiram ao movimento. Os chamados inconfidentes foram presos e julgados, alguns deportados para a África, como o próprio poeta, que depois de algumas transferências em prisões brasileiras, foi enviado para Moçambique. Tiradentes, um dos líderes, foi morto e esquartejado em praça pública.

"Marília de Dirceu"

Enquanto estava preso no Brasil, produziu "Marília de Dirceu", obra do Arcadismofoi publicado em Lisboa, por seus amigos. Inspirado em Doroteia, com quem não pôde mais casar, Gonzaga escreveu suas liras, onde a natureza vira o local perfeito (locus amoenus), sagrado e ideal para os pastores viverem sua paixão ingênua. Este poema bucólico, de inspiração clássica, foi publicado em várias línguas e é a sua principal obra.
Trecho:

Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’ expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!


sexta-feira, 13 de maio de 2016

Tomás Antônio Gonzaga

Poeta árcade que viveu entre o final do século XVIII e o início do século XIX. Nasceu na cidade de Porto em Portugal no ano de 1744 e veio para o Brasil em 1749, quando tinha apenas quatro anos. Anos mais tarde, o poeta retorna para Portugal para estudar Direito na Faculdade de Leis em Coimbra, cidade onde exerce cargos de magistratura. Intentando uma cátedra na Universidade de Coimbra, defende a tese intituladaTratado de Direito Natural, dedicada ao Marquês de Pombal. 
Retorna ao Brasil em 1782 para a então cidade de Vila Rica (atual Ouro Preto), em Minas Gerais, sendo nomeado ouvidor e juiz. No mesmo ano, conheceu Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão, jovem de apenas dezesseis anos, a qual inspirou a composição do conjunto de poemas intitulados Marília de Dirceu sob o pseudônimo pastoril de Dirceu. 
No ano de 1788, pede Maria Doroteia em casamento, porém, a família da jovem, muito tradicional, inicialmente se opôs ao matrimônio e só mudou de opinião com o passar do tempo. 
Tomás Antônio Gonzaga também ficou famoso por sua atuação na Conjuração Mineira, no ano de 1789, na qual vários intelectuais e pessoas influentes se insurgiram contra a monarquia portuguesa e lutavam pela independência da colônia.
Prestes a se casar com Marília, Gonzaga é preso pelo envolvimento na Conjuração e, na cela, escreve grande parte de Marília de Dirceu. O poeta havia começado a obra dedicada à Maria Doroteia ainda antes de ir para a prisão e dá seguimento da mesma enquanto estivera no cárcere, o que explica a mudança drástica de tom no decorrer dos poemas. 
No ano de 1792 é exilado em Moçambique a fim de cumprir sua pena. Naquele país, hospeda-se na casa de um rico comerciante de escravos e, no ano de 1793 contrai matrimônio com a filha dele, Juliana de Souza Mascarenhas, com quem tem dois filhos. Falece no ano de 1810.

Obras
Após o exílio na África, é editada a primeira parte da obra Marília de Dirceu. Publicado incialmente em três partes nos anos de 1792, 1799 e 1812 (a última após a morte do poeta). Nessa obra, Gonzaga é um pastor abastado que vive os idílios da vida no campo e canta para sua amada Marília e a natureza ao seu redor. Inicialmente, o poeta escreve sobre temas como o amor, a felicidade, a vida com sua amada e os sonhos de uma família. Como assinala o crítico José de Nicola, Gonzaga discorre sobre os temas sempre sob uma postura patriarcalista, defendendo também a tradição e a propriedade, além disso, o crítico chama atenção para o caráter da obra que, embora receba o nome da amada, em momento algum mostra a voz da mesma. Portanto, o conjunto de poemas pode ser considerado um monólogo, em que apenas o poeta expressa seus sentimentos. Na prisão, há a mudança de tom em Marília de Dirceu e o poeta passa a refletir sobre justiça e sobre seu destino. 
Antes de ir para a prisão, Gonzaga escreve uma série de poemas satíricos em forma de correspondência sob o título de Cartas Chilenas. Nelas, Critilo, um habitante de Santiago do Chile, critica os mandos e desmandos do governador Fanfarrão Minésio. Na realidade, Santiago seria Vila Rica e, seu governador, Luís da Cunha Meneses (então governador de Minas Gerais). Além disso, endereça as cartas para Doroteu, que era, na realidade, o também poeta árcade Claudio Manoel da Costa.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Questões sobre o Arcadismo

1) Qual dessas afirmações não caracterizava a poesia arcádica realizada no Brasil no século XVIII?

a) Procurava-se descrever uma atmosfera denominada locus amoenus.
b) A poesia seguia o lema de “cortar o inútil” do texto.
c) As amadas eram ninfas, lembrando a mitologia grega e romana.
d) Os poetas da época não se expressaram no gênero épico.
e) Diversos poemas foram dedicados a reis e rainhas, e tinham um objetivo político.

2) (Cescea) - Entre outras características do Arcadismo, encontramos:

a) utilização, pelos poetas, de pseudônimos pastoris.
b) condenação do Barroco, que prevaleceu no século XVI, nas suas formas de cultismo e conceptismo.
c) a arte não deve ser concebida como imitação da natureza.
d) o cultismo e o conceptismo.
e) o subjetivismo e o egocentrismo.

3) (FUB - SC) - Todos os autores abaixo, relacionados pertencem à escola mineira do Arcadismo, exceto:

a) José Basílio da Gama.
b) Eusébio de Matos.
c) Manuel Inácio da Silva Alvarenga.
d) Tomás Antônio Gonzaga.
e) Frei José de Santa Rita Durão.

4) (Mackenzie) - Sobre o Arcadismo no Brasil, é incorreto afirmar que:

a) Cláudio Manuel da Costa, um de seus autores mais importantes, embora tenha assumido uma atitude pastoril, traz, em parte de sua obra poética, aspectos ligados à lírica camoniana.
b) em "Liras de Marília de Dirceu", Tomás Antônio Gonzaga não segue aspectos formais rígidos, como o soneto e a redondilha em todas as partes da obra.
c) nas "Cartas Chilenas", o autor satiriza Luís da Cunha Menezes por suas arbitrariedades como governador da capitania de Minas.
d) Basílio da Gama, em "O Uraguai", seguiu a rígida estrutura camoniana de "Os Lusíadas", usando versos decassílabos em oitava-rima.
e) "Caramuru" tem, como tema principal, o descobrimento da Bahia por Diogo Álvares Correia, apresentando, também, os rituais e as tradições indígenas.

5)  (Uf-viçosa) - Leia a estrofe de Tomás Antônio Gonzaga e faça o que se pede:

Os teus olhos espalham a luz divina,
A quem a luz do sol em vão se atreve;
Papoila ou rosa delicada e fina
Te cobre as faces, que são cor da neve.
Os teus cabelos são uns fios de ouro;
Teu lindo corpo bálsamo vapora.
Ah! não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de amor igual Tesouro.
(TAG, MD, Parte I, Lira I)

Sobre a personagem central feminina, podemos afirmar que:

a) Marília é mostrada, ao mesmo tempo, como pessoa e como encarnação do Amor, como categoria absoluta.
b) Apesar da beleza deslumbrante da amada, não se verifica, na construção dessa personagem, qualquer idealização clássica da mulher.
c) O poeta dirige-se a Marília unicamente como sua noiva e futura esposa.
d) A beleza luxuriante de Marília contrasta com o ideal de serena fruição dos prazeres sadios da vida.
e) Marília, pela sua intensa sensualidade, representa o ideal de amante e não o de noiva ou esposa.

6) (UF Viçosa) - Os autores de Vila Rica, Caramuru e Uruguai foram, respectivamente:

a) Cláudio Manuel da Costa, Santa Rita Jabotão e Graciliano Ramos.
b) Cláudio Manuel da Costa, J. de Santa Rita Durão e José Basílio da Gama.
c) Santa Rita Durão, Manuel Botelho de Oliveira e Adonias Filho.
d) José Basílio Gama, Nuno M. Pereira e Tomás Antônio Gonzaga.
e) Cônego Luís Vieira da Silva, Alvarenga Peixoto e Plínio Salgado.

7)  (PUC) - Relacione as colunas:

1.Glauceste Satúrnio
2.Alcindo Palmirendo
3.Dirceu
4.Termindo Sipílio
5.Lereno

( ) Tomás Antônio Gonzaga
( ) Cláudio Manuel da Costa
( ) Basílio da Gama
( ) Caldas Barbosa
( ) Silva Alvarenga

a) 3, 1, 5, 2, 4
b) 3, 1, 4, 5, 2
c) 1, 2, 3, 4, 5
d) 3, 2, 4, 1, 5
e) 3, 1, 4, 2, 5

8) (Mackenzie) - Apontar a alternativa correta:

a) Tomás Antônio Gonzaga cultivou a poesia satírica em O Desertor.
b) Na obra Cartas Chilenas, temos uma sátira contra a administração de Luís da Cunha Menezes.
c) Nessa obra o autor se disfarça sob o nome de “Doroteu”
d) Para maior disfarce, o autor de Cartas Chilenas faz passar a ação na cidade do Rio de Janeiro.
e) Tomás Antônio Gonzaga tinha o pseudônimo de “Doroteu”.

9) (Cescem) - O Arcadismo, didaticamente, inicia-se, no Brasil, em 1768:

a) com a fundação de Arcádia de Lusitana.
b) com a publicação de poemas de Cláudio Manuel da Costa (em Lisboa) e pela fundação da Arcádia Ulissiponense.
c) com a publicação dos poemas de Cláudio Manuel da Costa (em Lisboa) e pela fundação da Arcádia Ultramarina.
d) pela vinda da família real para o Brasil.
e) nenhuma das anteriores.

10) Poema satírico sobre os desmando administrativos e morais imputados a Luís da Cunha Menezes, que governou a Capitania das Minas de 1783 e 1788:

a) Marília de Dirceu
b) Vila Rica
c) Fábula do Ribeirão do Carmo
d) Caras Chilenas
e) O Uruguai

11)  (ITA) Uma das afirmações abaixo é incorreta. Assinale-a:

a) O escritor árcade reaproveita os seres criados pela mitologia greco-romana, deuses e entidades pagãs. Mas esses mesmos deuses convivem com outros seres do mundo cristão.

b) A produção literária do Arcadismo brasileiro constitui-se sobretudo de poesia, que pode ser lírico-amorosa, épica e satírica.

c) O árcade recusa o jogo de palavras e as complicadas construções da linguagem barroca, preferindo a clareza, a ordem lógica na escrita.

d) O poema épico Caramuru, de Santa Rita Durão, tem como assunto o descobrimento da Bahia, levado a efeito por Diogo Álvares Correia, misto de missionários e colonos português.

e) A morte de Moema,índia que se deixa picar por uma serpente, como prova de fidelidade e amor ao índio Cacambo, é trecho mais conhecido da obra O Uruguai, de Basílio da Gama.

12)  (ITA) Dadas as afirmações:

I) O Uruguai, poema épico que antecipa em várias direções o Romantismo, é motivado por dois propósitos indisfarçáveis: exaltação da política pombalina e antijesuitismo radical.

II) O (A) autor(a) do poema épico Vila Rica, no qual exalta os bandeirantes e narra a história da atual Ouro Preto, desde a sua fundação, cultivou a poesia bucólica, pastoril, na qual menciona a natureza como refúgio.

III) Em Marília de Dirceu, Marília é quase sempre um vocativo; embora tenha a estrutura de um diálogo, a obra é um monólogo – só Gonzaga fala, raciocina; constantemente cai em contradição quanto à sua postura de Spastor e sua realidade de burguês.

13) São características do Arcadismo, exceto:

a) imitação da natureza
b) bucolismo
c) ausência de objetividade
d) idealização da mulher amada
e) linguagem simples

14) (UM-SP) Entende-se por literatura árcade: 

a) a linha europeia de produção literária com linguagem rebuscada.
b) a linha europeia de produção literária que volta aos padrões clássicos.
c) a produção de poesia lírico-amorosa da geração byroniana.
d) a produção de poesia lírica nacional com retórica aprimorada.
e) a linha europeia que prega a "arte pela arte".

15) (ENEM-2008) 

Torno a ver-vos, ó montes; o destino (verso 1)

Aqui me torna a pôr nestes outeiros, 
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros 
Pelo traje da Corte, rico e fino. (verso 4)

Aqui estou entre Almendro, entre Corino, 
Os meus fiéis, meus doces companheiros, 
Vendo correr os míseros vaqueiros (verso 7)
Atrás de seu cansado desatino.

Se o bem desta choupana pode tanto, 
Que chega a ter mais preço, e mais valia (verso 10)
Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,

Aqui descanse a louca fantasia, 
E o que até agora se tornava em pranto (verso 13)
Se converta em afetos de alegria.

Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.

Considerando o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção correta acerca da relação entre o poema e o 
momento histórico de sua produção.

a) Os “montes” e “outeiros”, mencionados na primeira estrofe, são imagens relacionadas à Metrópole, ou seja, ao lugar onde o poeta se vestiu com traje “rico e fino”.
b) A oposição entre a Colônia e a Metrópole, como núcleo do poema, revela uma contradição vivenciada pelo poeta, dividido entre a civilidade do mundo urbano da Metrópole e a rusticidade da terra da Colônia.
c) O bucolismo presente nas imagens do poema é elemento estético do Arcadismo que evidencia a preocupação do poeta árcade em realizar uma representação literária realista da vida nacional.
d) A relação de vantagem da “choupana” sobre a “Cidade”, na terceira estrofe, é formulação literária que reproduz a condição histórica paradoxalmente vantajosa da Colônia sobre a Metrópole.
e) A realidade de atraso social, político e econômico do Brasil Colônia está representada esteticamente no poema pela referência, na última estrofe, à transformação do pranto em alegria.

domingo, 1 de maio de 2016

Autores

Basílio da Gama (1741-1795), autor do poema épico O Uraguai.
Santa Rita Durão (1722-1784), autor do poema épico Caramuru.
Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio) (1729-1789) Obras Poéticas e Villa Rica.
Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu) (1744-1810), autor de Marília de Dirceu e Cartas Chilenas.
Silva Alvarenga (Termindo Sipílio) (1749-1814).

Cláudio Manuel da Costa: Também conhecido como o "guardador de rebanhos" Glauceste Satúrnio, seu pseudônimo, Cláudio Manoel da Costa nasceu na cidade de Mariana (em Minas Gerais). Estudou Direito em Coimbra, onde teve contato com as principais ideias do Iluminismo e, ao voltar para o Brasil, fundou da Arcádia Ultramarina em Vila Rica. Era um homem muito rico e de posses que influenciou a elite intelectual da época. Por ter participado da Inconfidência Mineira, foi preso e encontrado enforcado na cadeia em 1789.

Os temas iniciais de sua obra giram em torno das reflexões morais e das contradições da vida com forte inspiração nos modelos barrocos.

Posteriormente, dedicou-se à poesia bucólica e pastoril na qual a natureza funciona como um refúgio para o poeta que busca a vida longe da cidade e reflete o as angustias e o sofrimento amoroso com sua musa inacessível Nise. Estes poemas fazem parte do conjunto intitulado Obras (1768).

Cláudio Manoel da Costa também se dedicou à exaltação dos bandeirantes, fundadores de inúmeras cidades da região mineradora e desbravadores do interior do país e de contar a história da cidade de Ouro Preto no poemeto épico Vila Rica (1773).

Literatura

O Arcadismo insurgiu-se contra os exageros do Barroco, produzindo ma poesia que retornou à simplicidade e equilíbrio clássicos e renascentistas. No Brasil, ocorreu um entrosamento acentuado entre vida intelectual e preocupações político-sociais: o selvagem foi valorizado, houve uma visão crítica da política colonial e um crescente nativismo. Pela primeira vez, desde "o descobrimento", o momento histórico permitiu a existência de uma relação sistemática entre escritor, obra e público, preparando o campo para a Era Nacional de nossa literatura.

Os princípios básicos do Arcadismo:
 Fugere urbem (Fugir da cidade) em busca do locus amoenus (lugar ameno, aprazível); o poeta voltava-se para a natureza, para o  campo à procura de uma vida simples, bucólica, long dos centros urbanos (todos os nossos poetas árcades, no entanto, foram urbanos, intelectuais e burgueses, daí falar-se em fingimento poético que se concretiza no uso de pseudônimos pastoris).

 Carpe diem (Aproveita o dia): máxima do poeta latino Horácio com a qual o poeta convida a aproveitar o momento presente (este foi também um dos temas preferidos do Barroco).

 Inutilia truncat (cortem-se as inutilidades): os árcades queriam cortar todos os excessos barrocos, por isso usavam palavras simples, períodos curtos e mais comparações que metáforas.

Características

Novo interesse pelos clássicos.
Poético: com o retorno à tradição clássica com a utilização dos seus modelos e  a valorização da natureza e da mitologia. 
Ideológico: influenciado pela filosofia presente no Iluminismo, que traduz a crítica da burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero.
Pseudônimos pastoris: o fingimento poético (simulação de sentimentos fictícios) é marcado pela utilização dos pseudônimos pastoris. Como pastores, os poetas, em sua maioria burgueses que vivam nos centros urbanos, realizavam o ideal da mediocridade dourada (aurea mediocritas).
Carpe diem: significa aproveitar o dia, viver o momento com grande intensidade. Foi a atitude assumida pelos poetas-pastores, que acreditavam que o tempo não parava e, por isso, deveria ser vivido plenamente em todos os sentidos. 


Universalismo: os árcades não compactuam com o individualismo. Tratam dos temas de maneira geral ou universal. 
Fugere Urbem: os árcades buscavam uma vida simples, próxima da natureza, longe das confusões urbanas. A modernização das cidades trazia os problemas dos conglomerados urbanos. A alternativa era mudar-se para os prados e campos. 
Exaltação da Natureza: partindo de um desejo bucólico, o Arcadismo estava sempre em busca pelos valores da Natureza, fazia muitas referências a terra e ao mundo natural. Os poetas dessa escola costumavam escrever sobre as belezas do campo, a tranquilidade que era proporcionada pela natureza e contemplavam a vida simples, desprezando a vida nos grandes centros urbanos, assim como também a agitação e os problemas das pessoas que viviam nesses lugares.
Inspiração greco-romana: para os árcades, a arte greco-romana era considerada um modelo de perfeição, equilíbrio, beleza e simplicidade. Foi assim que as fortes influências desses povos conquistaram os moldes neoclassicistas ao que se refere à temática, às regras de composição e também no predomínio das figuras mitológicas. A mitologia pagã acabou servindo como elemento estético para os árcades.

Simplicidade.
Equilíbrio.


Historia

O Arcadismo, também conhecido como Setecentismo ou Neoclacissismo, é o movimento que compreende a produção literária brasileira na segunda metade do século XVIII. O nome faz referência à Arcádia, região do sul da Grécia que, por sua vez, foi nomeada em referência ao semideus Arcas (filho de Zeus e Calisto).
Didaticamente o Arcadismo iniciou-se em 1768 com a publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa, e com a fundação da Arcádia Ultramarina, em Vila Rica.
Denota-se, logo de início, as referências à mitologia grega que perpassa o movimento.
Vale lembrar que são poucos os estudiosos da literatura brasileira que falam desse período de transição (1808 - 1836). A maioria deles estende o Arcadismo até o inicio do Romantismo.

Profundas mudanças no contexto histórico mundial caracterizam o período, tais como a ascensão do Iluminismo, que pressupunha o racionalismo, o progresso e as ciências. Na América do Norte, ocorre a Independência dos Estados Unidos, em 1776, abrindo caminho para vários movimentos de independência ao longo de toda a América, como foi o caso do Brasil, que presenciou inúmeras revoluções e inconfidências até a chegada da Família Real em 1808, a primeira Revolução Industrial, caracterizada pela aplicação da ciência na industria. 
O movimento tem características reformistas, pois seu intuito era o de dar novos ares às artes e ao ensino, aos hábitos e atitudes da época. A aristocracia em declínio viu sua riqueza esvair-se e dar lugar a uma nova organização econômica liderada pelo pensamento burguês.
Ao passo que os textos produzidos no período convencionado de Quinhentismo sofreram influência direta de Portugal e aqueles produzidos durante o Barroco, da cultura espanhola, os do Arcadismo, por sua vez, foram influenciados pela cultura francesa devido aos acontecimentos movidos pela burguesia que sacudiram toda a Europa (e o mundo Ocidental).